Ter um estilo elegante nem sempre depende de acompanhar tendências. Muitas vezes, ele nasce das escolhas que se repetem.

Há um exercício curioso.

Pense em alguém cujo estilo você admira. Agora tente descrevê-la sem falar do rosto.

É provável que você se lembre de um detalhe antes de qualquer outra coisa. Uma camisa branca, um relógio de couro, um corte de cabelo que parece nunca mudar ou um par de óculos escuros.

Nossa memória costuma funcionar assim. Ela não guarda todos os elementos de uma imagem. Guarda aquilo que se repete.

É por isso que algumas pessoas continuam imediatamente reconhecíveis mesmo quando as tendências mudam completamente ao redor delas.

O estilo nem sempre nasce da novidade

Existe uma ideia bastante difundida de que ter estilo significa estar sempre experimentando algo novo. A moda, afinal, vive de movimento. Novas cores, novas proporções, novos acessórios. Tudo parece durar menos do que durava há alguns anos.

Mas basta observar algumas das figuras mais marcantes da moda para perceber outro padrão.

Anna Wintour dificilmente aparece sem seus óculos escuros.

Karl Lagerfeld transformou luvas, colarinhos altos e óculos em uma assinatura imediatamente reconhecível.

Carolina Herrera fez da camisa branca uma extensão natural da própria imagem.

Nenhuma dessas escolhas parece ter sido feita para chamar atenção. Elas simplesmente permaneceram.

E talvez seja justamente essa permanência que as tornou memoráveis.

A repetição também comunica

Quando pensamos em estilo, quase sempre falamos sobre novidade.

Falamos da próxima tendência, da próxima coleção, da próxima compra.

Pouco se fala sobre repetição.

E, no entanto, ela costuma ser uma das formas mais discretas de construir uma identidade visual.

Pense em uma amiga que você não encontra há anos. É curioso como a memória raramente recupera o look inteiro. Em geral, ela guarda um detalhe: o perfume que parecia fazer parte da pessoa, a bolsa usada em quase todas as viagens ou aquele óculos que você associava imediatamente ao rosto dela.

Alguns objetos deixam de ser acessórios.

Passam a fazer parte da lembrança.

Encontrar o próprio estilo talvez tenha mais a ver com editar do que acumular

Existe uma palavra muito usada por arquitetos e designers que também faz sentido quando falamos de estilo: edição.

Projetar não significa acrescentar elementos indefinidamente. Significa escolher o que permanece.

Com o guarda-roupa acontece algo parecido.

Depois de algum tempo, quase todo mundo percebe que existem peças escolhidas repetidas vezes, enquanto outras permanecem esquecidas.

Essas escolhas recorrentes costumam dizer mais sobre estilo do que qualquer tendência.

Porque elas sobreviveram ao entusiasmo do momento.

E onde entram os óculos?

Poucos acessórios ocupam um lugar tão próximo do rosto. Eles aparecem nas fotografias, acompanham viagens, atravessam estações e acabam participando da imagem que construímos ao longo do tempo.

Talvez por isso tenham um peso tão grande na forma como somos lembrados.

Quando a escolha faz sentido, o óculos deixa de parecer um complemento.

Ele simplesmente parece pertencer àquela pessoa.

É uma diferença sutil, mas fácil de perceber.

Há acessórios que completam uma produção.

E há aqueles que acompanham uma história.

Algumas escolhas permanecem

A moda continuará mudando. Essa é parte da sua natureza.

O interessante é perceber quais escolhas continuam fazendo sentido quando a novidade passa.

Talvez esse seja um bom teste para descobrir se um objeto realmente combina com você.

Não quando ele chama atenção pela primeira vez.

Mas quando continua sendo escolhido anos depois.


Continue explorando

Se este tema despertou sua curiosidade, estes conteúdos também podem interessar: